O ar está pesado

domingo, setembro 14, 2025



O ar está pesado, infiltra-se nos meus pulmões uma ânsia de correr pelas praias e olhar o mar infinito, esquecendo-me até do nome que sai entre os meus lábios como uma oração.Existe uma prece que repito diariamente, que um dia as coisas ficarão mais leves, mais fluídas e naturais.
Na minha cabeça este pensamento rodopia sem parar, sendo uma mentira que conto a mim mesma para aguentar o peso que vem do ar, mas que ocupa a mente, o corpo, o coração.
O nome que alimenta a prece cria enredos e faz promessas. Promessas bonitas, cheias de palavras e reflexões e sonhos. Oh, tantos sonhos que cria sustentados em nuvens com castelos em seu redor, alimentando também a minha ânsia de um conto de fadas. O meu conto de fadas que, por fim, se torna real.

Nada disto acaba por acontecer.
O ar está pesado.

Quero mover-me à velocidade da luz, para que possa captar todos os raios de cada minuto de cada dia. Eles existem, eu vivo-os, portanto sei que são reais. Será que minto a mim mesma? Será que os raios na verdade pertencem a vários olhares, a vários momentos, a várias mãos, acima de tudo, a vários toques, sentido o mesmo brilho que eu.

Não me movo à velocidade da luz.
O ar está pesado.

Quero acreditar no que diz a minha prece, quero acreditar o que diz aquele nome, quero acreditar para que não me desmorone como um castelo naquelas nuvens de sonhos. Esses vão sendo destruídos, passo a passo, segundo a segundo, por mais teias de palavras que não batem certo ou momentos que acabam por diferir das promessas.

O ar está pesado.

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